EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS
Mônica Lobo (para Rubem Alves) Veja que bela cabeleira dourada! Isso aí não vale nada! Como falar assim de um ipê?! A vassoura não é por conta de você! As flores caem, caminhamos sobre o sol! Suas ideias são puro besteirol! Não vê a alegria brotando destas cores? Vejo é que divergimos em muitos valores Você bebe tolices e poesias de canudo Eu mastigo a realidade, vomito tudo Nunca tive tempo a perder Foi assim que aprendi a viver Não vejo a hora de ver um progressista Arrancar tudo isso da minha vista! Minha alma celebra a doçura e a criatividade Me entrego sem pressa ao prazer da alteridade A poesia não tem lugar, tempo nem história É um carinho atemporal feito na memória Minha utopia é ter a senhora bem quista Doar à sua face meus olhos de artista