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EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS

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Mônica Lobo (para Rubem Alves) Veja que bela cabeleira dourada! Isso aí não vale nada! Como falar assim de um ipê?! A vassoura não é por conta de você! As flores caem, caminhamos sobre o sol! Suas ideias são puro besteirol! Não vê a alegria brotando destas cores? Vejo é que divergimos em muitos valores Você bebe tolices e poesias de canudo Eu mastigo a realidade, vomito tudo Nunca tive tempo a perder Foi assim que aprendi a viver Não vejo a hora de ver um progressista Arrancar tudo isso da minha vista! Minha alma celebra a doçura e a criatividade Me entrego sem pressa ao prazer da alteridade A poesia não tem lugar, tempo nem história É um carinho atemporal feito na memória Minha utopia é ter a senhora bem quista Doar à sua face meus olhos de artista

A MEDIDA DO AMOR

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Mônica Lobo Um dedo, um palmo Uma foto, um quadro Uma vida, um hiato Uma casa, um gato Dois olhos, um laço Duas mãos no espaço Dois pés, um passeio Duas dores ao meio Que medida de alegrias, em tempo sem escala, nos faltou por tantos dias feito corte de navalha? Tremores com suores frios Adereços cardinais deslumbrantes Nossas folhas descendo fortes rios As últimas mais secas que as de antes Que medida de amores, em almas sem defesa, nos privou de mil alvores feito força sem leveza? Certa noite de vento e encanto A música deu seu passo Na ponta dos pés, entretanto Marcou no peito seu compasso Descobrimos no amor real Em face o ardor mais bonito Na aurora boreal A medida do infinito

MEU PRIMEIRO BICHANO

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Mônica Lobo Pé de coelho Virada de bailarino Coça, morde, lambe Limpa, limpa, limpa Sossega sentado Rabo em curva Feito adorno felpudo Imperador da casa Peixe no aquário Tv à gato, Pimbol, Sopa delícia, Vigília incansável! Vem de surpresa Pula no colo Ronrona, ronrona Flofa, flofa Pisca pra mim Gato de botas Solarata no telhado Canto do muro Choro cantado Pula a janela Se roça, se enrosca Reclama, reclama Quer tudo de mim Bacalhau, atum O bicho enlouquece Me segue, me pede Mia alto, rodopia Sirene de gaita de fole Fofura, fartura, ternura Meu floquinho de algodão Que faz flofe, flofe, flofe Feito massa de fazer pão Ah, a vida e suas travessuras Quem diria que um dia Eu diria com certeza Que tamanha é a beleza Do meu amor por esse ser Primeiro amor... Que cresce, cresce Tanto, tanto Que sou incapaz De não amar todos os outros

PRECISÃO DE PRECIPÍCIO

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Mônica Lobo É preciso um precipício Me jogar! Apreender o princípio do renascimento O erro incorrigível O instante anterior ao desassossego Naufragar é preciso Se molhar, se perder no mar Porque viver não é preciso É onda, vento, sol, trovoada! A precisão de um precipício É isso! Mas é preciso mais que um salto, um pulo, Um beijo roubado Um cão alado Que insanidade voar Sem saber das asas! Somente a doçura cega de um amor canino! Preciosa cauda a balançar Sem precisar! Por ser feliz, por despertar A vista de outros olhos Olhos líquidos de lagoa O afago, a companhia Inflar e derreter ar quente Língua pendente de tapete Quente, úmido, macio Tudo que é preciso Num abraço que te reinicia.

VIDA DE MENINA

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Mônica Lobo Sonhar ser cientista, professora, poetisa Escrever diários, cadernos de ciências Palavras na areia que a onda leva Suave, terno, feliz É preciso crescer! Redações, equações, Subtrações, adições, Rebeliões, Camões, Ilustrações, sertões, Soluções, diluições, Refrações, difrações, Populações, digestões, Distrações, alçapões Ra-cio-na-li-za-ções Graduações Pós-graduações Dissertações Orientações Cresci Sonhar ser cientista, professora, poetisa Escrever diários, cadernos de ciências Palavras na areia que a onda leva Suave, terno, feliz