Postagens

INSÔNIA

Ana Paula Da janela do meu quarto ouço a conversa da turma do cachorro quente. Enquanto os moradores da minha rua tentam dormir, os bagunceiros fazem questão de serem ouvidos! Pensem num povinho desocupado! As gargalhadas são tão altas que estremecem os vidros das janelas. As músicas que eles ouvem é de um mau gosto surreal! Pus algodão nos meus ouvidos, liguei o ar no máximo, fiz relaxamento e nada! Quem disse que eu consegui dormir? Passei a noite toda virando de um lado para o outro da cama, feito uma tapioca numa frigideira quente. Que pesadelo! Digam-me quem em sã consciência conseguiria dormir ao som dessa balbúrdia? Não sei o que é pior, se é a algazarra dos notívagos ou a voz de taquara rachada do cantor Pablo. Perdoe-me, mas canções bregas não embalam meu sono. Meu Deus, passei uma noite na sofrência!

SOU PARAENSE, SOU PAPA-CHIBÉ

Jerusa Nina Quando desço do avião em Belém, um forte sentimento que me aflora a alma assim que bato os olhos nos anúncios dos pontos turísticos é: “estou em casa”. Não que o Rio de Janeiro também não seja meu lar. Depois de tantos anos até poderia parecer ingratidão com a cidade maravilhosa, a qual amo de paixão.  Acontece que quando chego ao aeroporto da cidade onde nasci e fui criada, tenho a mesma sensação que muitos de nós nutrimos pela casa de nossos pais depois que casamos. Aquele saudosismo que nos dá a certeza de que sempre seremos bem-vindos. Como todo paraense que vive fora do Pará, morro de saudade da minha comida regional. Sinto falta de degustar um Tacacá bem quente às cinco da tarde, de tomar um açaí com farinha de tapioca logo depois do almoço e de dormir na rede, para completar. Sinto saudade da maniçoba, do caruru, do vatapá, dos variados sorvetes da Cairu e da pupunha melada na manteiga comida quente com o café com leite da tarde. Não precisa ...

DOMINGO NO PARQUE

Leny Fontenelle Um misto de ansiedade,  perplexidade e também de constrangimento. Assim foi uma de suas idas ao antigo Tivoli Parque, situado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, acompanhada por seu pai.  Sempre fora um pouco medrosa em relação a certo tipo de diversão. Altura, velocidade...nada disso a atraía de forma particularmente prazerosa. Em um passado bem mais recente, conduzindo os filhos pequenos nos inúmeros parques aquáticos, montanhas russas e simuladores “da vida”, a sensação dos tempos de infância ainda a perseguia e dividida ela ficava entre o prazer da companhia deles, divertidos e encantados e a tensão de encarar aqueles desafios. Feitas essas considerações, retrocedamos aos tempos do Tivoli da sua infância. Foi lá que seu pai protagonizou cenas inesquecíveis, das quais foi testemunha ocular. Andar de carrinho “bate-bate” pode ser uma experiência divertida para a maioria das crianças. Mas ter como parceiro de aventura um adulto de complei...

AMNÉSIA

Ana Paula dos Santos Cruz Solange é uma típica mulher de meia idade, recém-separada ela só pensa em se divertir e curtir a vida. Rejeita a todo o custo o título de senhora, não revela a sua verdadeira idade nem ao pároco de sua igreja. Ela própria se define como: “uma piriguete quase aposentada”.  Não aceitar que a idade chegou, e que o passar dos anos nos traz uma serie de limitações já lhe colocou em situações embaraçosas! Certa vez, essa criatura em questão sabia que seu exame de tireoide estava marcado para o dia 11 de janeiro, porém a confusa senhora resolveu olhar a sua bagunçada agenda e percebeu que anotara o referido exame para o dia 10.  Ficou em dúvida, mas resolveu ir ao centro medico mesmo assim. Acordou cedo, tomou seu banho e cumpriu todo o seu ritual matinal. A mulher partiu para o centro médico toda serelepe! Chegou à fila, se apresentou e pegou a senha. Conversava com a recepcionista amigavelmente quando de repente seu celular toca. - Quem será? Pensa...

ADORO VIAJAR, ODEIO TURISMO

Vaneska Mello Há pessoas, geralmente incompreendidas, que não gostam de viajar. Se estressam com preparativos. Têm grande apego às suas rotinas. Estão satisfeitas com o que já conhecem. Entendo perfeitamente esses seres do fundo de seus sofás. Mas não sou um deles. Eu adoro viajar, o que odeio, hoje e cada vez mais é o turismo. É certo que a distinção entre o turista e o viajante que aqui apresento não é científica. É só fruto caído de minhas impressões. Por isso não tem pretensão de verdade ou convencimento. O turista tem roteiros e lugares imperdíveis a visitar. O viajante tem liberdade e lugares que sonhou conhecer. O “é imperdível”, ou o “como assim você não esteve lá” o oprimem sobremaneira. Impõem obrigações. As multidões, as filas e os atropelos em nada são compatíveis com o que entende por lazer e prazer. É um preço alto demais, que só paga por um desejo muito pessoal. Viajantes estão mais focados no prazer da experiência do que no registro. Não fosse bastante ...

AFINAL, O QUE É O AMOR?

Sonia Andrade Dias destes assisti a um vídeo em que crianças entre quatro e oito anos eram entrevistadas e tinham que responder à pergunta: o que é o amor? A pesquisa foi feita nos EUA por um grupo de profissionais e as respostas que elas deram para essa simples pergunta foram diferentes e profundas, o que nos leva a refletir sobre o que os adultos pensam desse e de outros assuntos importantes. Um garoto definiu amor verdadeiro como uma coisa misteriosa que envolve admiração, amizade e felicidade. Outros disseram que é algo que aquece a alma, afasta a solidão, contato olho no olho, coração acelerado, a melhor coisa do mundo, que é importante falar para o outro que o ama, mas só quando o sentimento for verdadeiro. Alguns responderam com pura poesia, “quando se ama, os cílios batem sem parar e você vê estrelinhas”. Mas, uma das respostas mais impressionantes foi a de uma garota de seis anos que disse que para aprender a amar melhor, a gente devia começar gostando de alguém que se od...

COTIDIANO

Lia Cora Passou a ser seu segredo. Trajeto para o mercado, ela dava um jeito de ficar ali parada, aproveitando o sinal fechado. Olhava disfarçadamente para o canteiro, com o coração aos pulos. Será que ainda estaria ali? Estava! Ficava encantada e tão feliz... Se alguém percebesse sua descoberta, ela já sabia o que aconteceria. Por isso passou até a sair de óculos escuros, para disfarçar melhor a direção do seu olhar. Lembrou da 1a vez. Caminhava rápido - tinha muitos afazeres. Represou a pressa e teve que parar junto à calçada porque o sinal fechara. Foi quando olhou pro lado e reparou que, naquele canteiro da Prefeitura, as plantas estavam muito crescidas e abundantes. Seu olhar percorreu a parte mais escondida, daquele emaranhado de arbustos. Havia tipo uma clareira, formando um espaço côncavo. Mais curiosa, vasculhou seu interior e ficou pasma com o que viu. E olhou logo para o outro lado, para não chamar atenção. Foi pra casa, pensando em como podia, naquele canteiro visivelment...