A PRIMEIRA VEZ DE ANGÉLICA
Eliana Gesteira “...a imaginação só se aquece quando desprezamos os preconceitos” “Todas as fantasias se encontram na natureza. Criando os homens, ela fez o gosto de cada um tão diverso quanto o rosto”. (Marquês de Sade) Angélica não parecia andar. Flutuava. Seus pés batiam de leve o chão e faziam um barulho, toc toc toc toc, como se marcassem o compasso do coração. O dia estava nascendo e ipês roxos enchiam de buquês a calçada. Uma brisa fresca acariciava a penugem fina de seu braço, prolongando na pele a sensação vivida entre lençóis de seda por toda a madrugada. Aquela noite havia começado na boate “La Petite Chatte” por sugestão do namorado, que pediu de presente uma ménage à trois, especialidade da casa. Tal pedido fez Angélica reagir, a princípio, com desconfiança ao pensar que ficaria no papel de voyeur, caso Leonardo se interessasse mais pela convidada do que por ela; mas também com um certo frisson logo que se imaginou personagem de experiência tão ousada. Após algumas d...