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11 SUGESTÕES PARA FICAR DE PÉ, SEGUIDAS DE UMA SUGESTÃO EXTRA

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Carolina Geaquinto    (Israëlis Bildermanas, Lagny, 1959)       1) De pé, pernas estendidas, dobre o joelho direito, balance o pé ligado a esse joelho para frente e pouse-o sobre um ponto de apoio ascendente. Incline o quadril para frente e para cima, solte a perna esquerda do chão e dobre também o joelho desta perna, como o da outra, mas agora pouse o pé um pouco acima, sobre outro ponto de apoio ascendente. Repita os movimentos, sempre alternando pernas, joelhos e pés até chegar a um nível onde não haja mais apoios ascendentes, apenas apoios planos. Nesse lugar plano, deslize o pé direito para frente e o esquerdo para o lado. Tombe o tronco para trás. 2) Antes de querer ficar de pé, tente embrulhar seu equilíbrio em uma folha de papel, como para presente de Natal ou de aniversário. Toda vez que quiser ficar de pé, desembrulhe seu equilíbrio e escreva no papel o que sente. Faça isso durante duas semanas seguidas e conseguirá diminuir seu...

NAUFRAGAR É NÃO PARTIR

Angela Fleury Observar como estou resistindo ao outro e a mim mesmo, como lido com o fora e com o dentro. Perceber o quanto estou reagindo e como estou sempre em relação a alguma outra coisa diferente de mim mesmo. Considerar a experiência das associações dos conteúdos que circulam em volta de vários núcleos, em volta dos mais diferentes “eus”.   Refletir. O que estou escolhendo? A que deus dentro de mim estou atendendo? O que tiro da frente para não atrapalhar? O que acolho e o que desacato? A que devo atentar? O que devo velar? O que outro está preferindo? A quem o outro está escutando? Entender que as energias entre o eu e o outro quase sempre surgem frouxamente ligadas. Meditar sobre esse jogo de indeterminações de intensidades variadas que estão quase sempre em contradição. Aprender que este navegar nem sempre terá os ventos a favor. Aceitar que uns são tufões, que encrespam o mar e aumentam o tamanho das ondas e elevam o nível das águas, e que alguns outr...

AINDA NÃO

Aspiramos a verdade e só encontramos em nós incerteza. Pascal Eliana Gesteira Era domingo, final de tarde de um dia ensolarado, e Amanda descansava no banco do jardim de casa num momento de solidão desejada. Apesar da quase indiferença, notou uma borboleta amarela que voava sobre sua cabeça e também a luz do sol filtrada em suas asas. “Ah, a vida”, disse, e um leve tremor lhe percorreu o corpo. Então levantou-se e passou a acompanhar o voo do inseto em pé. Após girar a cabeça de um lado para o outro, mudou de posição e lentamente esticou o braço, colocou os dedos em pinça e zás! A borboleta foi aprisionada em um copo emborcado. Por alguns minutos ou uma eternidade, conforme o ponto de vista, suas asas aflitas encontraram paredes de vidro diante de olhos grandes e interessados. Não, Amanda não era má. É que estava cansada de ver a vida e a alegria ostentadas aos borbotões, mesmo entre aqueles que se diziam infelizes ou entre os que asseguravam “o mundo é um horror”. Mas p...

A DESEQUILIBRISTA

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto Esse eterno levantar-se depois de cada queda Essa busca de equilíbrio no fio da navalha Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo Infantil de ter pequenas coragens. O Haver Vinicius de Moraes Conselhos, forças, ameaças. O que o mundo espera da gente é equilíbrio. Em nome de uma vida mais serena, uma boa dose de sensatez, relações harmoniosas, paz de espírito. Desafortunadamente o que tenho a oferecer ao mundo é minha infinita incapacidade de me meter em medidas, encaixar em padrões, me aprisionar em parâmetros. Equilíbrio pressupõe um sistema de forças que se compensam e se anulam reciprocamente. Não vejo como isso possa ser algo sempre bom. Nesse constante anular-se, gente como eu só vê um vazio enorme. Falta-nos o discernimento para entender sua grandeza, qualquer que seja. Equilíbrio também é estado daquilo que se mantém sem alterações, constante. Nada mais assustador para alma...

A JUSTA MEDIDA: O SOM DE MULLIGAN E PIAZOLLA

  Years of solitude    Anos de soledad   https://www.youtube.com/watch?v=FDwahjiQ_5g live em Roma Maria Júlia ESCUTEM: A música salta de dentro do seu peito e voa para longe, ele sai correndo atrás, sem saber para onde, o saxofonista de bela juba branca ao vento e o seu saxofone plangente. Nos caminhos do sul, encontra o bandeonista, e juntos choram as respectivas solidões perante o público italiano. O ano é de 1974, o local, um teatro de Roma. O saxofone inicia cantando a solidão como o que existe de mais real, como parte da condição humana, do ser na sua individualidade existencial.  A solidão de cada um, dentro das próprios sentimentos, experiências, da precariedade da vida, da finitude, ressoa no teatro. O público desolado, piangere, piangere... Então, o bandonéon acompanha o saxofone. Também verte suas lágrimas, mas a seguir, procura um movimento próprio, independente, para sobrepor as lamúrias do outro, constantes e iguais. E reforça o rit...

A MEDIDA DO AMOR

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Mônica Lobo Um dedo, um palmo Uma foto, um quadro Uma vida, um hiato Uma casa, um gato Dois olhos, um laço Duas mãos no espaço Dois pés, um passeio Duas dores ao meio Que medida de alegrias, em tempo sem escala, nos faltou por tantos dias feito corte de navalha? Tremores com suores frios Adereços cardinais deslumbrantes Nossas folhas descendo fortes rios As últimas mais secas que as de antes Que medida de amores, em almas sem defesa, nos privou de mil alvores feito força sem leveza? Certa noite de vento e encanto A música deu seu passo Na ponta dos pés, entretanto Marcou no peito seu compasso Descobrimos no amor real Em face o ardor mais bonito Na aurora boreal A medida do infinito

OS PRIMEIROS MINUTOS

            Angela Fleury Talvez seja a hora mais difícil, uma incrível mistura de sentimentos indefinidos. Um momento de passagem de um mundo para o outro, que vai de uma misteriosa imprecisão, passando aos poucos para uma nebulosa penumbra até que se descortina em uma luz clara a qual os olhos nem sempre conseguem suportar. Tudo se passa em câmera lenta, reina um desconhecimento, uma desconfiança do que possa ou não vir a ser. Um tatear, como se eu estivesse entrando em um quarto escuro ou, ao contrário, saindo desconfiadamente na direção de uma forte luz. Cenários que vêm e fogem da mente, imagens desconexas que escapam e que insistem em reaparecer que se misturam e se embaralham que são turvas, que se ocultam e se mostram sem que eu tenha o tempo para lhes dar um sentido.  Estou em pleno espaço entre, nem de um lado nem do outro, em pleno transcurso. Aos poucos, bem aos poucos, mas ainda de maneira desconcertada sinto que vou saindo de...