UMA QUESTÃO DE FÉ
Sonia Andrade
Não acredito em
bruxarias, mas sei que elas existem. Atire o primeiro búzio quem nunca teve
curiosidade sobre o futuro, principalmente, sobre o seu futuro. Não vivo
buscando uma vidente para chamar de minha, uma guru. Mas, sou mulher e não
resisto quando uma amiga sugere uma visitinha a uma vidente que acertou tudo
com ela. Nesse momento, a curiosidade fala mais alto que a razão. Curiosa que
sou, aceito a sugestão. Muito mais impelida pela simples curiosidade do que por
necessidade de solucionar algum grave problema. É o sonho da bola de cristal
que resolve tudo para a gente, poupando-nos da necessidade de pensar muito para
tomar decisões e evitando correr riscos. Simples assim, desde que só nos dessem
notícias boas. As amargas não, como disse o escritor. Em todas as vezes,
acreditem, fui com fé. Mas, parece que fé é um sentimento sobre o qual não
temos controle absoluto.
Movida por esse
impulso e pela propaganda positiva de amigas, consultei algumas videntes. Mas,
apesar da minha boa vontade, nunca sai satisfeita dessas consultas porque todas
foram incapazes de acertar qualquer coisa sobre mim, até as aparentes, como
características físicas. Nas duas vezes
que fiz o mapa astral, obtive resultados totalmente contraditórios.
Uma cartomante, em
especial, se destacou pela capacidade de errar. Para começar, perguntou se era meu o garoto no
corredor do apartamento dela. Era seu vizinho. Depois me perguntou se eu era
japonesa. Certamente, viu em mim traços orientais ocultos para todos, inclusive
para mim. Afirmou, também, que eu era professora, profissão que admiro, mas que
nunca exerci.
Acho graça dessas histórias.
Talvez eu não me concentre o bastante para passar, telepaticamente, as informações
adequadas às videntes. Ou, talvez, os meus questionamentos sejam de outra
natureza, mais apropriados ao divã do psicanalista. Não quero trazer a pessoa
amada em três dias nem estou atrás de dinheiro ou poder. Para espanto geral, já
tenho o amor e o poder de que preciso. Eu só quero é ser feliz, mas isso já é
outra história.
Gostei do texto, bastante objetivo e sincero. Eu personalmente penso parecido, mas acredito na astrologia que é a unica dessas praticas que eu considero que tem bases mas ou menos científicas. Mas como diz o ditado " Yo no creo en brujas pero que las hay, hay" prefiro não envolver-me com essas crenças.
ResponderExcluirBem-(re)vinda! Que texto agradável de ler e fácil de se identificar!.Por curiosidade fi a alguns videntes,dica de amigas, sempre as amigas. Gosstei da sua cartomante com capacidade de errar,Pela parte que me toca,tive mais sorte, duas ou três acertaram em cheio.
ResponderExcluirGostei do texto, objetivo e realista. Apesar de acreditar no "ocultismo" também acredito que ninguém tem o poder de adivinhar o futuro de ninguém. Acredito que se soubéssemos realmente que alguém tem tal poder, dificilmente o consultaríamos...
ResponderExcluirRealmente causa medo alguém que tenha esse poder. E, também, só interessa saber das notícias boas.
ExcluirQue texto gostoso de ler. Com uma linguagem simples, vai salpicando elaborações muito interessantes como por exemplo "fé é um sentimento sobre o qual não temos controle absoluto"...acho que não mesmo.
ResponderExcluirPor ser muito bem escrito e fluído, a leitura é ainda mais agradável.
Vaneska
Texto objetivo e direto. "... apesar de minha boa vontade nunca saí satisfeita dessas consultas...". Sônia está convencida de que cartomante não é a sua praia. Seus questionamentos são de outra natureza, psicanalítica talvez. Texto que vai direto ao ponto. Parabéns.
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